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terça-feira, 7 de abril de 2009

"Isso não é homenagem àqueles que amam, mas um luto aqueles que desmerecem corações.Talvez você tenha medo de acreditar que um dia pode ser feliz e por isso viva em um mundo virtual. Lembrando que ser virtual não é nada virtuoso; acredite no que quiser; mas eu, o iludido mais lúcido que já conheci, acredito piamente que quando o sentimento transcende a racionalidade a existência adquire sentido. Por isso eu acredito no amor. Por isso eu acredito no sorriso. Por isso eu acredito que você ainda vai abrir seus olhos e desmerecer boa parte da razão por te guiar."
Ciranda e Cinderela

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"Naquela noite que parecia sem fim, notícias ruins acumulavam-se no ar. Não me julgue pela minha resposta instantânea ou reação inesperada, o dia que tive não foi dos melhores. Tenhas certeza que mal desejo para alguns, mas para ti, nunca. Não te desesperes por minhas respostas monossilábicas e frases secas, eu sou assim em algumas ocasiões e, quase sempre, sem explicação.
Não te atormentes pelo que penso ou sinto, sou egoísta demais, o que te dá o direito de seres comigo também, mas tenho certeza que não serás. Acho que a palavra conformismo foi mal usada e um pouco exagerada, digamos que acostumar fica melhor colocada.Entendas que às vezes sou irracional e desumano, maneira de esconder o quão frágil posso ser por dentro, o quanto de falar que não sinto, sinto duas vezes mais. Não acredites naquele “Eu” que diz que nunca amou ou irá amar, talvez ame ou já tenha amado, mas ainda não hei descoberto."

Você já me pediu desculpas, mas acho que agora eu é que devo pedir.
Eu me sinto tão segura em relação a nós, ao que diz respeito ao que estabelecemos e construímos que acabo aplicando a isso uma ideia de indestrutibilidade.
Talvez eu devesse perceber que toda essa segurança é unilateral, ou então, quem sabe, que eu fantasie demais sobre a ela.
Não queria ter te decepcionado, juro que não. Eu simplesmente confiei demais em mim, no que eu havia introjetado em você.
Desculpe mesmo, Bi. De verdade.
Se eu fiz o que fiz foi por crer que poderia fazer sem danos.
Só peço que você entenda que tem certas coisas que eu PRECISO fazer, DEVO e talvez até QUEIRA. Eu sou assim: preciso quebrar a cara.
Acho que isso parece um pouco com você, não?

Bi, é homo, eu sei. Também sei que você não vai gostar, mas eu simplesmente não aceito a ideia de ficar sem você.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

All you need is love, Beatles.
Uma música agradável e capaz de assumir uma identidade particular para cada um que a ouve. Acho que disso ninguém discorda. Inclusive Fabrício não discordava, já que esses foram os motivos que o levaram a escolhê-la como toque de celular. Ele não era o tipo de cara que recebia muitas ligações, então gostava de ter esses raros momentos assinalados por uma canção tão gentil.
Gentil? Não às 3 e pouco da manhã.
O dia de ontem havia sido difícil, portanto vou poupar a você, leitor, a chateação que lhe causaria ouvir os motivos para tais dificuldade. Só vou dizer-lhe que uma série de imprevistos assolou o nosso pacífico protagonista. A propósito, não era 'pacífico' o seu principal predicativo, outros poderiam ser citados: resignado, passivo, pouco efusivo e... entretanto, doce. Diabeticamente doce, se é que isso é possível. Todo esse seu açúcar, no entanto, abstinha-se da degustação alheia. Se é que você me entende, o Fabrício era um sujeito um tanto enfastiado dos "agrados" de terceiros.
Voltemos ao celular, pois enquanto teço infindáveis linhas descritivas, o aparelho telefônico mantém-se vibrando, tocando e emanando uma série de luzinhas que se chacoalhava conforme o ritmo Beatleano, tudo isso aprisionado no tempo narrativo. Bem, envolto pela penumbra que, aos poucos, dissipava-se diante da dança luminosa daquela joça vibrante, F. estendeu os braços bruscamente até o criado-mudo e agarrou o celular.
1 chamada não atendida.
Ele encarou a tela do eletroeletrônico: ele, acusando-a por interromper seu sono; Ela, chamando-o de displicente por ter perdido o telefonema. Uma onda de indignação percorreu os músculos de Fabrício. "Essa hora da madrugada?!" Enraivecido, virou-se para o lado e tentou entregar-se aos deleites do sono.
...
Mas ele não conseguia.
Quem teria ligado àquela hora, e para quê?
Quase que contra sua vontade, desvencilhou-se das cobertas e sentou-se pesadamente sobre a cama. Coçou os olhos e amaldiçoou sua maldita curiosidade!Exausto, encarou o celular. Sem hesitar por mais um minuto que fosse, tomou-o em suas mãos e clicou na primeira tecla que se confrontou com seu dedo. A luz fez com que seus olhos ardessem, e ele recuou por um breve momento, somente o necessário para se acostumar àquela claridade. Então, lá estava gravado o número que ousou interromper seu descanso. Um número desconhecido.
"Droga, droga, droga, droga...!", lamuriava-se Fabrício.
Percebendo que não conseguiria retornar aos seus sonhos tão facilmente, saiu do quarto, ainda com o telefone em mãos, e dirigiu-se até a cozinha. Lá, ele encheu um copo com água e a tomou em apenas um gole. Sentou-se à mesa. Foi invadido por uma sensação de frustração. Seus dedos apertavam o copo até ficarem com as juntas brancas, enquanto pensava no seu fracasso. Em toda aquela merda de fracasso que o rodeou durante todos os seus dias. Em toda a merda que viria a rodiá-lo. Vai ver que ele também era um merda, no fim das contas, e nada seria mais correto do que estar envolto por seus semelhantes.
Os acontecimentos do dia de ontem açoitaram os seus pensamentos. "Desgraça".
....
Levantou-se às 8h sentindo todos os seus nervos latejarem pelo cansaço acumulado. Pegou uma roupa qualquer de dentro do armário e vestiu-se pesadamente. O nosso pobre Fabrício estava tão desatento, leitor, que não se deu conta que a roupa escolhida era a mesma que vestira ontem.Saiu de casa trôpego, entregando mais um dia de sua vida à rotina. Ah, leitor, e que rotina chata era aquela! Chata a tal ponto de não merecer outro detalhe além desse adjetivo. Sendo assim, desse modo ficará: chata e nada mais. No lugar dessa descrição entediante, caro colega, vou dedicar-me a contar, do modo mais fiel que for capaz, a confusão que se estabeleceu na cabeça do rapaz: sentimentos e pensamentos mesclaram-se com o tédio do dia-a-dia e geraram um descontentamento nunca antes presenciado pelo pacato moço. Ele não podia mais suportar tanto descontentamento, tanta cobrança, tanta monotonia... tanta gente chata e ordinária ao seu redor!
Desejava fugir, esconder-se, libertar-se...!
Porém, ele não faria isso, obviamente. Era fraco demais. Ele sabia; todos sabiam, e agora também, você sabe. Aguentou mais aquele dia, fazendo o possível para desamarrar o nó em sua garganta. No entanto, afroxou-o apenas. Voltou para casa tarde da noite. Havia cumprido suas obrigações estudantis às 18h, mas por algum motivo não queria voltar para aquela cama, para aquela sala, para aqueles espelhos no corredor. Ele resolveu que iria andar de carro... andar até já ter decorado todas as pixações nas paredes paulistas. Ele não decorou, como já era esperado, e retornou para sua moradia quando um dos ponteiros do painel indicava que a gasolina estava acabando. Entrou na garagem, estacionou o carro, pegou o elevador e então apertou o número 17.
Adentrou a sala e, pela primeira vez desde que ganhara aquele apartamento, reparou na sombra produzida pelos objetos que compunham a mobília. Sentou-se ali mesmo, naquela primeira poltrona, ao lado da porta. Atirou seu corpo sobre ela, e lá permaneceu, imerso no silêncio.
Sem vozes, buzinas, sinais... sem Beatles, de novo.
...
Outro dia sem Beatles.

...sem Beatles;

...sem Beatles.


"Que os Beatles morram!"



...Lá estava o Fabrício, mais uma vez naquela poltrona, remoendo insatisfação. Mas não reagia. Sua passividade era grande demais para isso. Seu resigno o impedia de assumir a si mesmo que precisava de alguém.
...Alguém...
Quem?
Sentiu-se sozinho; uma sensação de gosto amargo. Amargura nunca antes experimentada. NUNCA. Pensou em si, pensou na merda toda e então cansou de pensar. Ele queria alguém, alguém pra conversar. Não sei se foi o impulso que levou Fabrício a fazer o que fez, mas o que importa é que o fez e ponto final. Ele pegou seu celular e ligou para o número desconhecido.
Uma vez; Duas vezes; Três vezes.
-Alô?
A voz era suavemente rouca, marcante e encantadora. Voz de mulher. Duas sílabas foram o bastante pra fazer com que ele se arrepiasse.
-Vo... Você me ligou há uns 3 ou 4 dias atrás, de madrugada. Eu me chamo Fabrício.
A voz calou-se por alguns instantes, então respondeu:
-Desculpe pelo incômodo, acho que liguei errado. Não conheço ninguém com esse nome.
-Ah... tudo bem então... eu só queria...- Fabrício se calou repentinamente. Estava decepcionado por ser engano. Queria alguém para compartilhar. "Mas como ousou ele, pessoa tão insignificante, pensar que alguém gostaria de falar-lhe?! Um idiota, isso sim! Um..." Seus pensamentos foram interrompidos quando a voz do outro lado disse:
-Sim?

-Não, nada. Desculpe. Tchau, obrigado.



E desligou.


Do outro lado da linha, a garota pôde ouvir o TU-TU-TU do telefone. Ela desabou, trêmula, sobre a cadeira da cozinha. A luz fraca refletia nos azulejos brancos, no granito da pia, no aço das cadeiras. Do lado de cá, Fabrício continuou no sofá. Apoiou a a testa nas mãos, e assim ficou, afundado no escuro da sala.
Cada um sentia de maneira particular os efeitos colaterais daquela ligação.
Entretanto, ela era quem sentia mais.Sentia não ter dito quem era; o que queria. Sentia ter permitido que as coisas permanecessem na inércia.Sentia não ter falado de seus sentimentos. Sentia o fato de que ele jamais saberia.
E ele não soube.







____//_____







Final alternativo:

Adicione ao final anterior:



Seguiu seus dias da mesma maneira com que havia sempre seguido. E assim foi, e assim é. Trocou o toque do seu celular por um daqueles "pipis" comuns. Esqueceu-se da música. Desfêz-se da doçura e lambusou-se num falso contentamento.Ela não ligou mais. Continuou com sua voz rouca, encantando multidões, sorrindo sempre. E continuou sem ele. Continuou sem nunca ter ousado interromper toda essa continuidade.E assim termina a histórias de 5 dias da vida de Fabrício. Ele fez outras coisas depois, e a garota do telefone também.Foram razoavelmente felizes, cada um com sua vida... diria que tiveram alegria na medida em que se permitiram tê-la. Mas, sinceramente... eu gostaria de saber o que teria acontecido se 'All you need is love' tivesse tocado apenas 5 segundos a mais.
Agora sei que esse é o tipo de música que só se toca uma vez.

sábado, 28 de março de 2009

"Oh, meu Romeu! Se me amas de verdade, dize-o sinceramente...
Oh, meu Romeu! Não julgues leviano este amor que descobriste na noite escura...
Oh, meu Romeu! A despedida é tão doce que o esperarei até o romper do dia...
Este botão de amor que floresce agora será uma linda flor na outra vez que nos vermos...
Oh, meu Romeu, abençoada noite, temo que seja um sonho, é bom de mais para ser realidade..."
Fala de Julieta;
Romeu e Julieta, Willian Shakespeare
Foto: Shakespeare in love

quinta-feira, 26 de março de 2009

a-
Ontem meu pai veio com uma história de "eu sei muito bem o que a-con-te-ce - ele foi muito enfático e pontual nessa palavra - nessas festas adolescentes que viram a noite...!" (bufadas) "Depois nós conversaremos, Mariana, e você me contará o que aconteceu por lá..." (expressão de você não me escapará)

Ainda estou pensando se devo falar pro meu pai que o Mário Bros (à altura da foto já sem bigode e chapéu) não se envolve sexualmente com ningué, que duendes não procriam com rainhas de copas (essas que, apropósito, moram num lugar bem longínquo chamado País das Maravilhas) e que garotas Anos 60 são muito antiquadas para sexto antes do casamento.
Ah... quanto àquele cara ali do lado... uhn, ele tava bem moderninho, né... poderia fazer o que bem entendesse. Mas essa parte eu omito.

Pois bem, acho que vou defender essa versão de "personagens são assexuados" pro meu pai, aí vejo no que dá.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ela está parada diante do espelho olhando atentamente para todas as marcas de seu rosto. Observa com incômodo os efeitos causados pela choradeira da noite anterior: os olhos estão inchados, a pele possui alguns coágulos minúsculos e o nariz ainda escorre desenfreadamente.
Sente-se feia, desfigurada.
Pega a cestinha de maquiagem e analisa o que poderia ser usado. Pó, base, blush, rímel, batom... está tudo ali, pronto para disfarçar os sinais de uma madrugada conturbada.
Ela resolve deixar a base e o pó para lá, e começa pelo blush.
Ele é de um tom de rosa avermelhado muito forte. Quando foi comprá-lo, escolheu-o justamente pela cor gritando - estava cansada de se sentir moribunda. Ela o passa em movimentos alongados pelas maçãs do rosto, tomando cuidado para não deixá-las com um aspecto artificial.
Depois abre o rímel "alongador", segura o pincel firmemente com a mão esquerda, abre os olhos, direciona-os para cima e envolve os cílicos em uma mistura escura e pastosa.
Para dar o toque final, o batom. Essa é de fato sua parte predileta. Ele é de uma coloração bem clarinha, porém brilhante, e em sua propaganda estava escrito "aumenta o volume dos lábios em até 70%". Então tira a tampa, gira a parte inferior do batom e o desliza sobre os lábio.
Por fim, passa seu perfume predileto: três borrifadas na região do pescoço e uma em cada pulso. Coloca seu brinco de bolinhas, arruma a franja lamentando-se, como faz diariamente, por não ter um cabelo liso.
Olha-se no espelho.
O reflexo mudara.
Ela adquirira um aspecto bem mais semelhante ao de seus dias de calmaria: está corada, os olhos parecem maiores e a boca está "volumosa" e com um brilho simpático. Está muito, muito bonita na realidade.
Vislumbra-se por uma última vez, arruma as coisas sobre a pia, apaga a luz e vai embora.
Era como se todas as suas dores e aflições tivessem desaparecido. Ela se sentia bem, sentia-se protegida pelo seu disfarce cosmético. Tinha certeza de que ninguém notaria que ela passara por maus bucados.
Com essa sensação ela saiu de casa e cumpriu sua rotina.
No fim do dia, retorna ao banho. Olha-se novamente: ainda está estonteante.
Pega o demaquilante e um algodão. Molha-o e começa a passá-lo pelo rosto. A cada movimento pelo rosto uma tira de coloração suja impregna o aglomerado branco. Faz isso repetidamente e, finalmente, volta-se para o espelho.
Agora, nada mais a protege... as marcas reaparecem e as olheiras estão ainda mais profundas.
Paralisa-se alguns instantes envolvida por aquela imagem.
Ela sofre de novo, chora mais uma vez.
Recolhe-se para o seu quarto de dormir, abraça os joelhos e, pela última vez, mergulha naquela já conhecida escuridão molhada.
É intrigante observar a superficialidade volúvel e notar que, mesmo nela, certos sentimentos podem assumir uma profundidade impossível de se medir.
A dor é, de fato, inexoráverl.

terça-feira, 24 de março de 2009

(Em relação ao texto "O Grito")

Depois de ler esse texto, uma onda de pseudo-esperança percorreu o meu corpo por um longo e prazeroso tempo. Ele é o tipo de crônica com a qual pouca gente concorda, mas que todo mundo gosta .
Não gosta por apenas gostar, mas pela inegável necessidade de que nós, pessoas, temos de sempre nutrir e acariciar aquela parte que nos renova, que nos coloca de pé. O ser humano é (bem, pelo menos EU sou) dependente da renovação - ou do mero reabastecimento - de suas crenças, pois somente elas são capazes de transformar uma realidade massante e irremediável em algo potencialmente diferente.
Quando eu leio que algo grita dentro de mim, acabo me transportando para um local onde as regras são feitas e estabelecidas por mim. Por lá, eu posse ser quem bem entender e, quando sou quem eu quero, me torno alguém inabalável, iderreubável, digamos. Eu simplesmente estou no controle e nele permanecerei.
No entanto, esse Texto, o da Martha, cutucou em mim uma história que, diariamente, eu tento deixar clara e formar uma opinião sobre. Trata-se do tal do maniqueísmo. Será que é realmente possível considerar que existe uma verdade única e absoluta? Dizendo que sim, aceitamos a existência do bom e do errado, do bonito e do feito, não mais em formas subjetivas, mas sim em formas pontuais e universais.
A todo momento eu me deparo com duas versões, duas verdades. Eu assisto à mudança de padrões: posso ver o belo ser transformado em feio, assim como o certo se tornar errado. Torno-me telespectadora de mim mesma em momentos nos quais atuo de maneira que não faria há um ano atrás.
Estou em constante mudança, incorporo-a com propriedade. Para a mudança, na mudança e durante a mudança não há limites excludentes. O colorido mistura-se com o incolor, a maldade é causada pela bondade exagerada e a loucura é causada pela instrução em excesso, o que afasta a alienação. É-se forte o bastante para suportar a insanidade, porém muito fraco para afastá-la.
Há algo que também grita dentro de mim. Não sei se é a verdade, a indecisão ou a mentira, só sei que faz os meus ouvidos doerem e o corpo latejar. Há algo que esfrega pelos cinco sentidos que eu não sei o que fazer; se ajo, foi por mal. Se calo, foi por receio. E o que faço por bem?
Mais uma vez, algo está gritando.

Com sua licença, vou tentar alcamar toda essa histeria.